
Por Marcos Medanha - Em apenas sete meses como membro de governo no Distrito Federal, o petista Paulo Tadeu conseguiu muito poder e dinheiro. Quem diria! Hoje, Paulo Tadeu é dono até de um time de futebol profissional no DF, o Sobradinho Esporte Clube. À frente do Sobradinho, Tadeu colocou um dos irmãos, Ricardo Vale da Silva, o mesmo que, em passado recente, foi denunciado por meio de matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense, na edição de 27 de março de 2006, sobre esquema de destinação de verbas públicas para organização não-governamentais (ONGs).
O time do Sobradinho foi vendido a Tadeu pelo antigo presidente do clube Manoel Esperidião Pereira, o Manoelzinho. Fontes ligadas ao clube informaram ao Jornal das Cidades que "o Sobradinho foi vendido barato, por R$ 350 mil, porque existem inúmeras questões trabalhistas pendentes no time que precisam ser resolvidas".
Após a transação, Fernando, um sobrinho de Manoelzinho, que também já foi presidente da agremiação, passou gereciar o departamento de futebol. Ricardo, o irmão de Tadeu, agora começou então a responder pela presidência do Sobradinho. Entretanto, a documentação com a nova diretoria não foi ainda encaminhada à Federação Metropolitana de Futebol e nem à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Alheio às transações nos bastidores, os jogadores do Sobradinho treinam no Clube da Agepol, no Setor de Clubes Sul, para disputar a Segundona do Campeonato Brasiliense. O primeiro jogo será no dia 4 de setembro, contra o time do Legião.
Em entrevista à imprensa, Ricardo declarou que o Sobradinho, entre outras coisas, será uma vitrine para bons negócios de compra e venda de jogadores.
"Estou conversando com alguns investidores, pessoas que gostam de futebol, investem dinheiro, visando obter lucro com a venda de jogadores. Além disso, vamos atrás de empresários e comerciantes para apresentar nosso projeto", declarou o presidente do time.
Influência política facilita a vida de ONG - O prestígio de um aliado do governo federal deu força para que a organização não-governamental, que não recebeu um tostão do governo em 2003, passasse a gerir recursos que beiraram RS 1 milhão em 2005, graças aos repasses do Ministério do Esporte, da Seppir e da Fundação Universidade de Brasilia. Um dos idealizadores da Cata-Ventos é o deputado distrital pelo Partido dos Trabalhadores e então líder do partido na Casa, Paulo Tadeu, que, formalmente, não assume nenhum cargo na ONG", publicou o Correio.
"A ligação entre o deputado e a entidade se torna ainda mais estreita uma vez que o coordenador de projetos da ONG, João Marcos Assis é cunhado do parlamentar. Ele assumiu o cargo na entidade em 2004, pouco antes da Cata-Ventos conseguir emplacar um convênio com a Seppir, no valor de R$ 476,5 mil", conforme outro trecho da notícia no Correio.
Além disso, documentos da Cata-ventos mostraram que a presidência da entidade era ocupada por José Rosa Vale da Silva e a diretoria financeira por Ricardo Vale da Silva, ambos irmãos de Paulo Tadeu.
Vale ressaltar que, além de familiar, a ONG era constituída também por servidores do gabinete parlamentar de Tadeu na Câmara Legislativa. Assim, o estatuto da entidade foi assinado pelo servidor Gustavo Ponce de Leon Soriano Lago e a ata de eleição pelos também servidores Jurandy Brandão Marinho Filho e América Menezes Bonfim, então lotados no gabinete do parlamentar.
Sobre a matéria publicada pelo Correio, foi noticiado, na ocasião, que recursos milionários destinados a projetos esportivos caem em mãos de ONG"s, sindicatos e federações ligados a parlamentares e partidos políticos. "A ONG Cata-Ventos, com sede em Sobradinho II, é um exemplo de que apadrinhamento político pode facilitar a liberação de recursos federais.
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