Responsável por morte de pai e filho no Tatu dirigia sob efeito de álcool
O empresário Gustavo Henrique Bittencourt Silva, 26 anos, tem ignorado sistematicamente a proibição de dirigir alcoolizado. Em dois anos e 10 meses, o jovem foi flagrado ao volante sob o efeito de álcool pelo menos cinco vezes no Distrito Federal. Em 11 de maio, teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada pelo Departamento de Trânsito (Detran) e, portanto, deveria estar longe da direção pelo período mínimo de dois anos. Mas não foi o que aconteceu, e a desobediência custou uma vida. Na madrugada de ontem, ele atropelou e matou o motorista da Câmara dos Deputados Marcos André Torres, 37 anos, pai de Davi, 2, e de Gustavo, de 10 meses.O acidente ocorreu por volta da 1h, no Eixo Rodoviário, sentido Norte-Sul, no trecho conhecido como Buraco do Tatu. Segundo o titular da 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte), Laércio Rossetto, o combustível do carro de Marcos acabou e os quatro ocupantes do veículo saíram a pé para buscar gasolina.
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| Detran DF |
A Polícia Militar suspeita que a vítima pegava o triângulo no porta-malas para sinalizar a área, quando acabou atingida pelo Mégane conduzido por Gustavo.A polícia informou que o empresário se negou a fazer o teste do bafômetro, mas os agentes o encaminharam ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde acabou submetido ao exame clínico. O laudo, entregue à 5ª DP na tarde de ontem, atestou que o jovem apresentava sinais de embriaguez. Apesar do histórico de dirigir sob o efeito de bebidas alcoólicas (leia quadro ao lado), Gustavo foi liberado após pagar fiança de R$ 5 mil. “A lei seca está deixando brechas para a impunidade. A intenção é boa, mas ela foi mal elaborada”, criticou Rossetto.
O motorista foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar). No entanto, o delegado não descarta a possibilidade de mudar o entendimento no decorrer das investigações. “Vamos esperar o laudo do Instituto de Criminalística. Ele trará novas informações sobre a dinâmica do acidente, especialmente em relação à velocidade do condutor. Com isso, o indiciamento pode mudar no futuro”, alertou o delegado responsável pelo caso. Uma das possibilidades é acusá-lo por homicídio doloso (com intenção de matar).
“Incorrigível”
A reportagem apurou que o motorista acumula 30 pontos na CNH e deve mais de R$ 3 mil em multas ao Detran. O último flagrante ocorreu em março deste ano, quando Gustavo acabou flagrado pela quinta vez alcoolizado ao volante. Um mês antes, em fevereiro, uma notificação do Detran atestou a cassação da habilitação dele porque desrespeitou a lei seca duas vezes em menos de um ano e, portanto, deveria apresentar a defesa.
Em vez disso, Gustavo pediu uma segunda via do documento e acabou julgado à revelia. Em 28 de abril do ano passado, o Correio denunciou que se trata de uma estratégia comum de condutores pegos na lei seca para driblar a proibição de dirigir. “É um condutor incorrigível.
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| Diretor Geral do Detran DF José Alves Bezerr |
O advogado Jerônimo Agenor Susano Leite, que se identificou como representante jurídico de Gustavo, caracterizou o acidente como uma “fatalidade”. Disse ainda que o cliente trafegava a 60km/h, limite de velocidade permitido no Buraco do Tatu. “O condutor estava na velocidade da via. Na descida, ele freou quando viu o veículo (da vítima) parado. Mas o carro estava atravessado na pista e sem sinalização, como pisca-alerta e triângulo”, alegou.
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| Diretor Geral do Detran DF José Alves Bezerra |
Fonte: Correio Braziliense



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