
Ao acionar seus agentes para cumprir mandados de prisão no Ministério do Turismo, a Polícia Federal não recebeu uma mísera palavra de estímulo do governo.
O Planalto peocupou-se em prestigiar o principal parceiro político de sua coligação. Batizada de Operação Voucher, a ação policial inspirou uma iniciativa paralela.
Após reunião palaciana conduzida por Dilma Rousseff, o governo deflagrou o que um auxiliar da presidente chamou de “Operação Amansa PMDB.”
Enviada ao Senado, a ministra Ideli Salvatti, operadora do balcão, reuniu-se com os senadores do PMDB.
Apressou-se em avisar que a solidariedade de Dilma com a legenda, no comando da pasta do Turismo, é “irrestrita.”
Ideli ouviu dos senadores, entre eles o líder Renan Calheiros (PMDB-AL), críticas ao suposto abuso da Polícia Federal.
Munida de panos quentes, Ideli disse a ação da PT surpreendera a própria Dilma. Segundo a versão da ministra, o Planalto não foi informado previamente da ação.À saída do encontro, Ideli declarou que o governo não coonestaria com eventuais abusos da Polícia Federal.
Antes, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), petista como Ideli, havia tocado o telefone para o colega Pedro Novais (Turismo).
Gleisi disse ao ministro pemedebê que a ação da PF não o tinha como alvo. Referia-se a convênio celebrado em 2009, ainda na gestão Lula.
Comandate licenciado do PMDB, o vice-presidente Michel Temer obtivera a mesma informação numa conversa telefônica com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).
Superior hierárquico da PF, Cardozo dissera a Temer que, além de ser de 2009, a encrenca envolvia gente do PT.
Em telefonemas a lideranças de seu partido, Temer cuidou de calibrar-lhes a reação. Até então, a atmosfera era de franca animosidade.
A turma do PMDB tomava as prisões do Turismo como um plano do Planalto para adensar a atmosfera de desgaste iniciada com as denúncias da Agricultura.
Na Agricultura, alvejaram-se dois expoentes do PMDB: Romero Jucá, que teve o irmão Oscar Jucá Neto demitido da Conab; e Temer, padrinho do ministro Wagner Rossi.
No Turismo, imaginava o PMDB, desceria à vala comum José Sarney, que endossou a indicação do deputado maranhense Pedro Novais para o Turismo.
Desfeito o mal-estar, os líderes do PMDB puseram-se a se manifestar a realçar que o episódio referia-se a uma fase em que o PT dava as cartas no Turismo.
O problema é que há entre os presos um ex-deputado do PMDB baiano, Colbert Martins, secretário Nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo.
Embora nomeado em março de 2011, Colbert foi à garra por conta do convênio de 2009. Liberou a última parcela de um convênio micado de R$ 4,45 milhões.
Havia pareceres técnicos recomendando a liberação, pôs-se a alerdear o PMDB. A prisão seria abusiva. Porém...
...Porém, afagado pelas ministras petistas de Dilma e orientado por Temer, o PMDB atribuiu o suposto abuso ao Ministério Público e à Justiça, não ao Planalto.
À noite, como lhe pedira Gleisi mais cedo, Pedro Novais divulgou nota na qual informa sobre a suspensão de convênios e a requisição de auditoria da CGU.
Parte dos presos foi transferida de Brasília para Macapá, onde corre o inquérito que apura os malfeitos do Turismo.
A imagem de um Colbert algemado (lá no alto, na foto do centro), sendo conduzido ao avião que levou os presos à capital do Amapá, voltou a acender o pavio do PMDB.
Para os líderes do partido, a cena injetou humilhação no abuso. As primeiras críticas, porém, soaram em privado.
Ao final do dia, a “Operação Amansa PMDB” revelou-se um sucesso. O episódio expôs, contudo, a tensão que permeia as relações do partido com o PT e o governo.
Fonte: Blog do Josias de Souza - FOLHA
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