A primeira brasileirice permitiu que Antonio Palocci, por exemplo, fosse poupado das punições aplicadas a estupradores de sigilo bancário. A segunda livrou-o das sanções reservadas a traficantes de influência. A absolvição por falta de provas demorou três anos. A prescrição do crime por perda de emprego produziu efeitos já na cerimônia de despedida. Sem ter revelado a lista de clientes aos quais prestou serviços, sem ter confessado que tipo de serviço andou prestando, Palocci partiu ouvindo de Dilma um palavrório bem mais elogioso do que o recitado quando chegou. Está autorizado a gastar sem maiores explicações a fortuna que juntou inexplicavelmente.
Igualmente contemplados pela malandragem que favoreceu Palocci, os quadrilheiros demitidos do Ministério dos Transportes esperam sair da mira da polícia, do Ministério Público e da Justiça assim que saírem do noticiário da imprensa. O confisco do cargo permite que voltem a circular por aí com a expressão sofrida de quem cumpriu uma pena duríssima. Pois nem isso basta para que Luiz Antonio Pagot e seus padrinhos sosseguem. O senador Blairo Maggi, o vice Michel Temer e o inevitável Gilberto Carvalho, porta-voz de Lula no atual governo, continuam pedindo a Dilma que mantenha um alentado prontuário na direção geral do DNIT.
Se a reivindicação for atendida, Dilma terá inventado a prescrição do crime por ameaça de perda de emprego ─ e o Código Especial para Bandidos de Estimação estará perto da perfeição. Nos países civilizados, uma autoridade afastada por práticas ilícitas é transferida sem escalas do gabinete para um tribunal. No paraíso dos corruptos impunes, a demissão a pedido é um salvo-conduto para gastar em paz o dinheiro tungado dos brasileiros.



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