Repousam sobre as mesas de Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, e de Samantha Sallum, secretária de Imprensa do GDF, questionários elaborados por este blogueiro. O último contato foi com Naoibe Quelem, chefe de Gabinete da secretária, no dia 14 de março. Dizia ela, então, que tão logo fosse possível, as respostas seriam encaminhadas. De lá para cá se passaram 118 dias.
Na segunda-feira 12 - portanto há quarenta e oito horas - foi a vez de o secretário da Saúde Rafael Barbosa, receber um outro questionário, assinado, a exemplo dos anteriores, por este blogueiro. A diferença é que agora a resposta veio rápida, embora frustrante: "Infelizmente, devido à agenda do Secretário, não foi possível responder à sua demanda".
Guardadas as devidas proporções - até porque Getúlio Vargas assumia seus atos - é de se acreditar que ao propor na campanha eleitoral um Novo Caminho para a capital da República, Agnelo Queiroz escondeu a idéia de um regime de exceção quando se trata da relação Governo x Imprensa. O governador lembra o totalitarismo do Estado Novo que criou o Departamento de Imprensa e Propaganda, nos moldes nazistas e fascistas. Só se fala o que é favorável; críticas jamais. Isso ele tenta conseguir mediante o controle dos meios de comunicação, e propagando, ao mesmo tempo, uma imagem positiva do governo.
No trato com a Imprensa que não se submete aos desejos e interesses palacianos, Agnelo Queiroz se espelha na China de Hu Jintao, na Coréia do Norte de Kin Jong II e no Irã de Khamenei e Ahmadinejad.
São Estados ditatoriais reprovados pela comunidade internacional, onde a liberdade da expressão não faz parte do vocabulário dos governantes. Lá a Imprensa é censurada, e os opositores são perseguidos, vítimas de campanhas difamatórias que tentam desqualificar quem se insinua ao lado da verdade.
Mas, por que o silêncio do Buriti? Por que o calar-se da Secretaria da Saúde?
As perguntas dirigidas a Agnelo Queiroz aos cuidados da secretária Samantha Sallum, estão vivas, guardadas na caixa de emails expedidos. Foram 13 no total. Para refrescar a memória palaciana, cabe lembrar apenas três:
a) na condição de governador, Vossa Excelência tem enfrentado problemas que dificultem trilhar o novo caminho prometido ao eleitor do Distrito Federal? Se há perscalços que eventualmente impeçam seguir a rota transparente que o brasiliense almejava, esses poderiam ser tornados públicos?
b) que motivos levaram Vossa Execlência a punir, com transferências para delegacias distantes, delegados e agentes de polícia comprovadamente responsáveis pelas investigações da Operação Shaolin? Seria uma retaliação do Palácio do Buriti, para arquivar definitivamente os processos investigatórios?
c) até onde chegaram as ingerências de Vossa Excelência, para amenizar reportagens sobre a Operação Segundo Tempo, que aponta desvio de verbas em diferentes unidades da Federação, notadamente para beneficiar dirigentes do PCdoB - partido ao qual o senhor esteve filiado até ingressar no PT?
Já do questionário encaminhado ao secretário Rafael Barbosa, também são lembradas aqui três perguntas:
a) quantos e quais são os convênios, com os respectivos valores, assinados entre essa Secretaria da Saúde e a iniciativa privada no Distrito Federal?
b) quais as ligações do secretário Rafael Barbosa com o IDR - Instituto de Doenças Renais?
c) como a Secretaria da Saúde avalia o serviço de hemodiálise oferecido pela rede pública?
Desnecessário dizer das relações deste blogueiro com o governador Agnelo Queiroz. Quem acompanha os textos postados neste espaço ao longo dos últimos meses sabe que as partes têm uma relação difícil. O blogueiro, que não quer ter ao seu lado quem mente; já o governador, por querer distância de quem escreve a verdade.
Mas, e quanto ao secretário Rafael Barbosa?
Porém, se o boato foi patrocinado pelo secretário para evitar suspeitas de atos duvidosos, tio João de Paula deve estar se revirando no túmulo, pois sempre foi um homem íntegro, incapaz de permitir que o sangue do seu sangue manche o nome da família. Outro que deve estar coçando a cabeça é o secretário da Transparência. Ou será que Carlos Higino não vê conflito de interesses no convênio de Rafael que beneficia Andréia de Paula?
Fonte: Blog do José Seabra



Vale lembrar, que tendo como proprietário o secretário de saúde, o IDR, também não deve receber fiscalizações da Vigilãncia Sanitaria e de outros orgãos relacionados.
ResponderExcluir