Muito
se diz sobre a constituição brasileira de 1988, principalmente que ela é
uma das mais avançadas e democráticas do mundo. Diz-se isso dela pela
sua abrangência e pelos direitos que ela reconhece – políticos e
sociais. De fato, a Constituição de 1988 avançou muito, principalmente
no sentido de garantir um regime democrático-representativo que tem se
mostrado estável. Acredito, no entanto, que essa abrangência da
Constituição tem também aspectos negativos sendo um deles a dificuldade
do cidadão de conhecer o próprio direito. A questão que quero levantar
aqui, sem entrar muito no mérito da nossa constituição, é justamente a
dificuldade que o cidadão brasileiro enfrenta para conhecer os seus
direitos. Uma questão que em muito toca um assunto que para mim é muito
importante, a educação.
Como
posso lutar pelos meus direitos se não os conheço? Essa pergunta é
fundamental, apesar de poder parecer pequenas para alguns. A resposta é
simples, não posso. Toda e qualquer constituição tem a pretensão de
regular a vida social e política de um país, ela é o conjunto de regras
que nos diz nossos direitos e nossas obrigações perante o resto da
sociedade. Parece-me claro, então, que todo cidadão precisa saber quais
são esses direitos e deveres para que possa atuar em conformidade com
eles. No entanto, enfrentamos o problema do enorme número de leis e
códigos que temos.
Muitas
são as críticas feitas ao que era ensinado no regime militar como
“educação moral e cívica”. Concordo com grande parte das objeções ao que
era apresentado como tal durante a ditadura, principalmente porque o
que era ensinado era muito mais sobre símbolos nacionais como nosso hino
do que propriamente sobre direitos (até mesmo porque naquela época
obrigações contavam mais que direitos). No entanto, apesar de criticar o
conteúdo do que era ensinado, acredito que falta no Brasil – além de
uma educação pública de qualidade – uma educação “constitucional”, se
assim posso dizer. Falta ser ensinado ao cidadão, desde pequeno, que ele
tem direitos que ninguém pode violar, nem mesmo – e principalmente – o
Estado.
O
cidadão precisa ter noção de que o conjunto de regras chamado de
constituição lhe garante o direito de propriedade, de vida, de
liberdade, de associação etc. Mais do que saber, o cidadão tem que
absorver esses direitos e sentir-se dono deles, protegido por eles. A
educação tem um caráter muito importante para permitir esse conhecimento
e essa formação cidadã que nosso Brasil não tem. Nossas escolas estão
primeiramente preocupadas em formar, mesmo que o aluno não tenha
aprendido o necessário para tal. Posteriormente, temos uma educação –
principalmente a privada – preocupada em aprovar pessoas no vestibular
(o que não é imoral, apenas incompleto). Não temos uma preocupação no
Brasil em formar cidadãos.
Obviamente
temos que nos preocupar primeiramente em resolver os problemas mais
urgentes da educação brasileira como professores mal pagos,
infraestrutura precária e aprendizado deficiente, mas coloco essa
discussão para que possamos pensar o futuro do nosso Brasil. Nesse ponto
me agrada a ideia, que há um tempo levantei nesse blog, de um “Plano
Real” da educação, que agora foi dito pelo presidente do meu partido,
Aécio Neves.
Tenho
plena convicção da dificuldade de melhoria da educação brasileira, que
não vai acontecer meramente com destinação de 10% do PIB para o setor,
mas acredito que isso não deve nos impedir de trabalhar para que essa
melhoria aconteça. Sei também que investimento em educação –
principalmente nessa “educação constitucional” que mencionei – não é de
interesse de grande parte dos poderosos. Afinal, um cidadão consciente
dos seus direitos cobra com propriedade, não aceita qualquer coisa e
está muito menos sujeito ao engodo apresentado em todas as eleições.
Essa é uma batalha que temos que travar, no entanto, se queremos um
Brasil melhor para nós e para as futuras gerações. Devemos ter a coragem
e a dedicação para pautar essa questão e colocar nossos esforços para
que ela possa se tornar uma realidade. Eu acredito que a educação é a
ferramenta de desenvolvimento de qualquer sociedade e principalmente de
emancipação do indivíduo, pois o conhecimento liberta e a liberdade deve
ser a meta de qualquer sociedade. A educação nos torna livres para
sonhar e empreender, pensar e construir. Se não construirmos uma
educação de qualidade estaremos fadados ao fracasso e às correntes que
fazem das pessoas meros escravos intelectuais.
Fonte: MATHEUS LEONE - Graduando em Ciência Política na Universidade de Brasília.
Nenhum comentário:
Postar um comentário