A
rejeição é uma variável básica na avaliação da viabilidade de uma
candidatura. Ela representa o polo oposto da variável adesão. Significa
que, para um número determinado de eleitores, o candidato em questão
está excluído da possibilidade de ser votado.
É necessário entender a rejeição
A
rejeição, portanto, é sempre um problema sério para qualquer
candidatura, e o problema é maior quanto maior for a parcela do
eleitorado que subscrever este sentimento. Algumas vezes o grau de
rejeição de um candidato, medido por pesquisas de intenção de voto, é
tratado precipitadamente pelo partido, pelos que contribuem
financeiramente e pelos comentaristas políticos como uma sentença
condenatória, como um atestado final de sua inviabilidade eleitoral.
Isto
ocorre devido a uma compreensão apressada, superficial e portanto
inadequada do significado deste conceito. É necessário, pois, esclarecer
melhor o significado da rejeição:
1 – Todos os candidatos possuem algum grau de rejeição
A
própria natureza contraditória da política faz com que qualquer
candidato seja rejeitado por algum setor do eleitorado. Se não o for por
sua imagem pública, o será pelo partido pelo qual concorre, pelos
políticos com os quais está associado e/ou pelas ideias e propostas que
patrocina.
2 – O grau de rejeição pode variar durante a campanha
A
rejeição é um sentimento que pode se originar de um preconceito ou de
uma imagem equivocada, e que podem ser alterados durante a campanha,
quando o candidato tem maiores oportunidades de se fazer conhecido. O
inverso também é igualmente verdadeiro. O candidato que tinha baixa
rejeição antes da campanha pode ter seus índices de rejeição aumentados,
à medida em que o processo eleitoral expõe sua candidatura ao
conhecimento do eleitor.
3 – Rejeição absoluta e relativa
A
rejeição é absoluta quando o sentimento de exclusão do candidato é
definitivo e irreversível. Normalmente, nas pesquisas de intenção de
voto, ele é medido pela pergunta: “Em quem você não votaria de jeito
nenhum”. A rejeição é relativa quando o eleitor, que no momento da
pesquisa está apoiando outro, admite a possibilidade de vir a votar no
candidato, ainda que considere esta hipótese muito remota, muito
difícil, quase impossível, etc . A rejeição absoluta não se reverte, a
relativa pode ser reversível, pelo menos para uma parcela daqueles que a
possuem.
4 – A rejeição varia em função das alternativas de voto
As
alternativas de voto que o processo eleitoral oferece ao eleitor podem
influir decisivamente sobre o sentimento de rejeição. Muitos eleitores
possuem varias rejeições numa mesma eleição, algumas mais fortes que
outras. Num sistema eleitoral de dois turnos o eleitor pode, no primeiro
turno, votar afirmativamente no candidato de sua preferência absoluta.
Se entretanto, a eleição tiver que ser decidida num segundo turno, é
muito possível que ele tenha que exercer a sua escolha entre dois
candidatos que rejeita.
Muitos eleitores possuem varias rejeições numa mesma eleição, algumas mais fortes que outras
Nestes
casos, ele tenderá a escolher aquele que ele rejeita menos, pelo
argumento do mal menor (ainda que a diferença entre os dois possa ser
pequena), ou então terá que votar em branco ou anular seu voto.
Portanto, em termos práticos, um candidato, que foi rejeitado por uma
parcela de eleitores no primeiro turno, pode receber aqueles votos no
segundo, pela singela razão de que o outro candidato é mais rejeitado do
que ele.
5 – Rejeição pessoal, partidária, ideológica, por associação
O
sentimento de rejeição pode ter a sua origem em diferentes aspectos que
circunstanciam uma candidatura, alguns dos quais podem ser revertidos
enquanto outros não. Se a rejeição se sustenta numa hostilidade à pessoa
do candidato, ela só será revertida se esta animosidade decorre de uma
imagem destorcida ou de preconceito.
Nestas
duas situações, informações novas, verdadeiras e positivas sobre ele,
podem ter o poder de corrigir a sua imagem e remover as razões para o
preconceito. Se, por outro lado, o candidato for muito conhecido e muito
rejeitado, dificilmente se conseguirá reverter o quadro. Já no caso de a
rejeição sustentar-se numa hostilidade ao partido ou à ideologia do
candidato as possibilidades de reversão são mínimas. Por outro lado, se a
rejeição ocorre por associação, dirigindo-se contra pessoas ou
organizações que apoiam o candidato a remoção delas, ou muitas vezes o
rebaixamento de seu perfil na mídia e na campanha pode ser suficiente
para a reversão.
Para
entender adequadamente o grau de rejeição: se ela é absoluta ou
relativa, suas razões, seu foco (pessoa,partido,etc), sua relação com o
grau de conhecimento do candidato pelos eleitores,os cenários que podem
favorecer uma reversão, assim como a identificação dos eleitores que o
rejeitam a pesquisa é indispensável.
A
pesquisa que pode trazer estas respostas não é, entretanto, a comum
pesquisa de intenção de voto. É necessário trabalhar com um questionário
que contenha uma seção com várias perguntas, especificamente destinada a
medir estas dimensões da variável rejeição. A inteligente interpretação
do conjunto de dados assim produzido ensejará a formulação de
orientações estratégicas para a campanha e para o candidato.
Fonte: Política para Políticos
Postado por Sandro Gianelli
Nenhum comentário:
Postar um comentário