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quinta-feira, 14 de março de 2013

MP de Brasília vai analisar acusação de Valério contra Lula

Procurador de Minas, que havia recebido depoimento do operador do mensalão, alegou não ter competência para analisar todo o caso 

O depoimento prestado em 24 de setembro do ano passado no qual o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza, acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado do esquema foi remetido para o Ministério Público Federal em Brasília.

O procurador federal em Minas Gerais Leonardo Augusto Santos Melo, que havia recebido o material em fevereiro da Procuradoria-Geral da República, alegou não ter competência para investigar boa parte das acusações de Valério, porque boa parte dos supostos episódios narrados não teriam ocorrido em território do Estado e pouco acrescentavam aos inquéritos locais já em curso.

O Ministério Público Federal em Minas e os policiais federais que atuam no Estado investigam, já há alguns anos, uma série de suspeitas sobre o uso de dinheiro do mensalão - Valério, o operador do esquema, é Belo Horizonte.

São casos que ficaram de fora da ação criminal julgada no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal, no qual 25 pessoas, entre elas o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, foram condenadas por participar do pagamento de parlamentares entre 2003 e 2005, anos iniciais do primeiro mandato de Lula no Palácio do Planalto.

Uma dessas investigações em curso em Minas se refere a repasses feitos por Valério a uma empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. São informações conhecidas desde 2005, à época da CPI dos Correios no Congresso. Em 24 de setembro, enquanto o julgamento do mensalão ainda estava em curso no Supremo, Valério acrescentou em seu depoimento que esses repasses a Freud serviriam para pagar despesas pessoais do ex-presidente petista. O empresário tentava, com o depoimento, obter uma delação premiada, benefício que poderia abaixar sua pena - estabelecida em 40 anos de detenção -, e de proteção, pois dizia estar sendo ameaçado de morte.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esperou o julgamento do Supremo acabar para analisar o depoimento. Concluiu que ele deveria ser investigado nos Estados, pois Lula não tem mais foro privilegiado como ex-presidente. Pensou, inicialmente, em enviar o caso para São Paulo, mas depois mudou de ideia e o mandou para Minas sob o argumento de o Estado já tocar inquéritos relacionados a ele. Agora, os procuradores mineiros passaram a bola para o Distrito Federal. 

Sob análise - Desde segunda-feira, o depoimento passa por análise preliminar de procuradores de Brasília, que também têm investigações correlatas ao mensalão. Caso guarde alguma relação com apurações em curso, o trecho do depoimento será apensado à investigação. Caso contrário, se não houver nenhuma correlação com apurações já em curso, o depoimento será distribuído para um procurador da República.

Caberá a ele determinar a instauração de processos administrativos para investigar as acusações feitas por Valério ou arquivar o caso depois da análise preliminar. Se entender haver indícios de crimes a serem investigados, o procurador poderá abrir quantos processos administrativos considerar necessários para abarcar a íntegra das acusações do empresário.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo - Por Felipe Recondo, Alana Rizzo e Marcelo Portela

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