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Yoani recebida na madrugada de hoje por jornalistas e protestos de manifestantes no aeroporto Internacional dos Guararapes |
Várias coisas podem acontecer na política baiana esta semana, mas
talvez a mais importante, principalmente se houver sensibilidade dos
políticos, seja a presença de Yoani Sanches, uma heroína cubana, em
Feira de Santana e Salvador.
A internacionalmente famosa blogueira, perseguida, sequestrada,
torturada, presa pela ditadura comunista dos irmãos Fidel e Raúl Castro,
desembarcou na madrugada de hoje no Recife, de onde veio para a Bahia.
Yoani permanecerá no Brasil durante os sete primeiros dias de uma turnê
de 80 dias por doze países.
A autora do blog Geração Y vem divulgar seu livro De Cuba, com Carinho,
uma coletânea de seus textos sobre o cotidiano do povo cubano sob a
ditadura comunista. Após inúmeras tentativas frustradas de obter
autorização do governo para sair temporariamente de Cuba, ela conseguiu o
passaporte devido a uma nova legislação migratória.
Yoani desembarca no aeroporto Luís Eduardo Magalhães e segue de carro
para Feira de Santana, onde à noite estará na exibição do documentário
Conexão Cuba x Honduras, do cineasta Dado Galvão e no qual é uma das
pessoas entrevistadas. Na terça-feira, dá uma entrevista coletiva em
Feira de Santana, terá uma sessão de autógrafos de seu livro e participa
de um debate sobre liberdade de expressão e direitos humanos. Dedicará a
quarta-feira a conhecer Salvador e depois embarca para São Paulo, onde,
na quinta, participará de nova conferência. Para o sábado está previsto
um debate com o senador Eduardo Suplicy, do PT, que liderou várias
campanhas a favor de sua liberação para viajar a outros países.
Yoani Sanches já garantiu que após sua turnê de 80 dias retornará a
Cuba – onde durante anos, apesar de perseguida, sequestrada, presa e
impedida repetidamente de viajar ao exterior, vem sustentando sua luta
pela liberdade e pelos direitos humanos e denunciando o sacrifício
imposto a seu povo.
A simples presença e atividades de Yoani na Bahia e no Brasil têm
expressivo significado político. Mas este aumenta muito ante a denúncia,
feita pela revista Veja, de uma conspiração montada na embaixada de
Cuba no Brasil, que recrutou militantes do PT e PC do B e filiados à CUT
para monitorar as atividades da blogueira cubana no país e executar um
projeto de desqualificação da blogueira dissidente, incluindo um dossiê
de 235 páginas, preparado pela ditadura castrista contra Yoani Sanches e
a ser divulgado na Internet, mas de modo apócrifo. A denúncia
antecipada, de certa forma, deixou o dossiê malandro pendurado na
brocha.
Isso criou um escândalo político no país – mais um –, pois, segundo
denuncia a revista, houve na embaixada, em 6 de fevereiro, uma reunião
com os objetivos citados no parágrafo anterior, à qual, além de
militantes dos dois partidos referidos e da CUT, esteve presente o
coordenador-geral de Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência,
Ricardo Poppi Martins. O encontro foi preparado pelo conselheiro
político da embaixada de Cuba, Rafael Hidalgo, e teve a participação do
embaixador cubano Carlos Zamora Rodriguez.
Uma nota da Secretaria Geral da Presidência da República – chefiada
pelo ministro Gilberto Carvalho – promete investigar a “suposta
participação” de Poppi Martins na reunião. O próprio governo, no
entanto, antecipa a versão de que o coordenador-geral de Novas Mídias
Poppi Martins esteve na embaixada (no mesmo dia da reunião) para cuidar
de questões burocráticas relacionadas com uma viagem a Cuba, onde estava
ainda ontem.
No Congresso, oposicionistas já pedem uma investigação e não dão
qualquer crédito a essa versão, por considerarem que há informação
segura de que houve a reunião, que já é, por si mesma, totalmente
anômala, e que Poppi Martins participou mesmo dela, envolvendo, assim,
diretamente, o governo no caso.
Fonte: Gama Livre
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