O Brasil há de acabar um dia, mas os brasileiros não terão vistos todos os absurdos que os políticos locais destilam.
Entre os discursos que prefaciam a eleição do novo presidente do Senado Federal, a sandice ficou por conta de Fernando Collor de Mello, que em razão do impeachment jamais poderia ter retornado à vida pública, apesar de a legislação nacional assim o permitir.
Desde
os seus primórdios como homem público, Collor jamais deixou de
demonstrar destempero comportamental. Seu olhar fixo e fulminante, que
destila a raiva dos incorrigíveis e as chagas dos desalmados, traduz com
precisão a sua trajetória. Fernando Collor, responsável por uma das
negras páginas da história brasileira, deveria trocar a cadeira no
Senado pelo divã do analista.
De
raciocínio persecutório, Collor defendeu a candidatura de Renan
Calheiros durante discurso que proferiu da tribuna do plenário do
Senado. Não poderia ser diferente, pois ambos foram parceiros em um dos
tantos períodos de corrupção da história deste País.
Primeiro
presidente da República a sofrer um impeachment, colocar usou o tempo
regimental para atacar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a
quem acusou de “prevaricador e chantagista”. O senador por Alagoas foi
além e disse que Gurgel não tem autoridade moral para oferecer denúncia
contra qualquer senador, em referência ao que fez recentemente o
procurador em relação a Renan Calheiros.
Collor
não é adepto da lógica, muito menos da diplomacia, mas precisou
explicar as sandices que escorriam pelo canto da boca. Para tal, disse
que é estanho o fato de a denúncia contra Renan Calheiros, enviada ao
Supremo Tribunal Federal, ter sido oferecida em um sábado. Como se
existisse dia marcado para a atuação dos procuradores. Collor
ultrapassou as raias do desconexo e disse que Renan Calheiros foi
julgado e absolvido pelo plenário do Senado, não cabendo, assim, novo
julgamento do candidato à presidência da Casa.
O
Brasil, quiçá o mundo, sabe como funciona o Congresso Nacional. Um
clube privado de negócios, onde um largo e lamacento balcão de escambos
protege seus operadores, que têm na mira apenas os próprios interesses.
Corporativista, pois a extensa maioria dos parlamentares tem telhados
envidraçados, o Congresso se acostumou aos acertos tacanhos, espúrios e
anti-republicanos para salvar seus integrantes. A história comprova isso
de forma inconteste.
Fernando
Collor, não contente, disse que o Senado está em momento de afirmação e
que não deve se curvar ao Poder Judiciário. O que esse destemperado,
que há muito deveria estar contemplando o nascer do astro-rei de forma
geometricamente distinta, mas no parlamento regurgita lições de falso
moralismo, precisa saber que a prerrogativa de foro a que têm direito os
parlamentares não significa passe livre para o cometimento de crimes,
não é sinônimo de impunidade.
A
desfaçatez de Fernando Collor foi tamanha, que, antes de encerrar seu
discurso psicótico, teceu loas descabidas ao senador José Sarney, a quem
no passado dedicou adjetivos que fariam ruborizar a mais depravada
frequentadora de um bordel de quinta.
Collor
deveria fazer um enorme favor ao País, contentando-se com sua
insignificância como cidadão e pequenez como político, poupando, assim, o
Brasil de seus rebuscados embusteiros discursos, que servem para
entrincheirar corruptos e corruptores.
Fonte: Ucho.info
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