O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mesmo com todas
as suas trapalhadas, até que conseguiu uma façanha: inverteu
completamente a pauta dos últimos dias. Ele tirou de dentro do seu
governo a crise e fez com que ela atravessasse a Praça do Buriti e
caísse no colo dos deputados distritais. ...
A operação é considerada de altíssimo risco, já que a
estratégia tenta imputar às deputadas Celina Leão (PSD) e Eliana Pedrosa
(PSD) o crime de cooptação de testemunha - no caso Daniel Tavares, tido
como lobista da União Química, e que outrora acusou Agnelo de receber
dinheiro em troca de favores na Agência Nacional de Vigilância Sanitária
enquanto ele era diretor do órgão.
O que talvez os conselheiros do governador não contassem era que o
Conselho Especial do TJDFT declinasse da competência de investigar o
caso. Isso porque a deputada Celina Leão, acusada pelo petista, já havia
pedido outra investigação antes e, nela, incluiu também o chefe do
Executivo local, que por se tratar de governador o foro apropriado é o
Superior Tribunal de Justiça.
Para piorar o revertério, Daniel Tavares é velho conhecido das redações
de veículos de circulação nacional. Para vários jornalistas diferentes,
o lobista havia dado a mesma versão da novela União Química. No
entanto, o relato misteriosamente mudou de rumo. Por isso, a Justiça,
dentre outras coisas, terá de chegar à conclusão se Tavares é o
denunciante ou cúmplice do crime de pagamento de propina.
Pode ser que os estrategistas que rodeiam o governador tenham
comemorado toda essa confusão. Mas agora eles começam a perceber o
tal risco da operação, uma vez que a investigação sai dos
controles governamentais da PCDF e passa para a competência da Polícia
Federal. E com um detalhe: sob a batuta do Superior Tribunal de Justiça.
A manobra garantiu pelo menos uma semana de tranquilidade para Agnelo. Mas será que essa paz vai durar até quando?
Fonte: Blog do Edson Sombra - 11/05/2012

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