A advogada Lídia Maria Morais Lacerda, residente em Águas Claras, estava no banco do carona no carro de uma amiga, que sofreu uma convulsão enquanto dirigia. Descontrolado, o veículo provocou um acidente. Levemente ferida, a advogada, com a ajuda do povo, prestou os primeiros socorros, até que chegasse atendimento do Corpo de Bombeiros.
Levadas ao Hospital do Guará, Lídia e a amiga, inconsciente, passaram a viver o maior calvário de suas vidas. Inconformada, a advogada dirigiu correspondência ao governador Agnelo Queiroz - a quem conheceu em outras épocas - onde cobra providências. Ela desabafa que o setor saúde está um caos; é caso de morte.
Leia o depoimento dela:
Sou servidora pública concursada, advogada militante e, mais importante, brasiliense por adoção, já que moro nesta cidade há 30 anos.
Aqui passei minha adolescência, aqui tornei-me cidadã, aqui fiz minha militância política no movimento estudantil, ocasião em que conheci o então deputado distrital, hoje Governador do DF. Aqui, há 20 anos, perdi a minha mãe, depois de longa doença, sendo (bem) tratada por médicos e servidores do HRAN (Hospital Regional da Asa Norte).
Naquela época o hospital passava por dificuldades, não raras vezes tive que comprar medicamentos, esparadrapo, agulhas para soro, enfim, pequenos materiais, de baixo custo, mas que faziam toda diferença na administração de medicamentos. Mas, fundamentalmente, há 20 anos atrás, os funcionários tinham trato com os doentes, o que nos confortava muito.
Ao longo dos anos passei a portar um plano de saúde, o que me afastou da rede pública, então, ouvia falar sobre as péssimas condições de trabalho dos hospitais do Distrito Federal e, invariavelmente, apoiava os movimentos grevistas, pensando com meus botões: “algum governo deve dar um basta nesta situação e colocar a saúde do DF nos trilhos, não é possível que os servidores passem por tamanha privação.”
Senhor Governador, demais autoridades, prezados cidadãos, este era o meu pensamento até hoje, dia 08 de julho de 2011, data em que minha opinião sobre o assunto mudou de forma radical, pelas razões que passo a expor.
Hoje, no final da tarde, peguei carona com uma velha amiga minha, e, no Setor de Mansões Bernardo Sayão ela foi vitimada por uma convulsão, perdeu os sentidos e bateu o carro. Neste momento meu calvário começou.
Apesar da gravidade do acidente, não sofri nenhum ferimento, mas minha amiga estava em convulsão, situação que provoca riscos óbvios.
Transeuntes ajudaram-me a prestar os primeiros socorros enquanto esperamos por longos 20 minutos a chegada de uma ambulância dos Bombeiros. Neste ínterim liguei para o 193 e fui (mal) atendida por uma pessoa absolutamente desinteressada para a gravidade do quadro.
Meu desespero aumentava de forma exponencial, junto com minha revolta, uma vez que a poucos metros dali, na Avenida do Contorno do Guará, em frente à QE 32, há um Quartel do Corpo de Bombeiros.
Pois bem, após mais de 20 minutos de espera, com minha amiga ainda desacordada, os bombeiros chegaram e proporcionaram um tratamento primoroso, o que nos deu certo conforto. Naquele momento, após os primeiros atendimentos, formos encaminhadas ao Hospital do Guará, e a nossa via-crucis alcançou níveis de terror.
Chegamos ao Hospital, acompanhadas por membros do Corpo de Bombeiros que informaram ao médico a gravidade do caso. Para meu espanto o médico não se dignou sequer a levantar-se da cadeira para fazer um exame superficial na minha amiga, que permanecia em estado de semiconsciência. Ora, não estudei medicina, é verdade, mas o senso comum indica que, em casos de acidente, o médico faça um exame, ainda que perfunctório na vítima do acidente. Pois bem, nem minha amiga, deitada na maca, nem eu, merecemos sequer um olhar do médico, que limitou-se a prescrever uma dose de um remédio (penso que foi Gardenal, pelo que pude entender), a ser aplicado no ambulatório.
Neste momento faço uma pausa para algumas explicações: O Hospital estava estranhamente vazio, nenhum paciente esperava por aquele médico (ou qualquer outro naquele local); os membros do corpo de bombeiro já haviam se retirado, deixando minha amiga na maca.
Ao me estender o papel com a indicação de que ela (semiconsciente) deveria receber aquela indicação, o médico limitou-se a indicar o local aonde eu deveria levá-la. Entre perplexa e assustada, perguntei a ele se eu deveria empurrar a maca até lá e ele limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente, com um indisfarçável sinal de agastamento.
Lembro que eu também tinha sido vítima do acidente e tive que empurrar a maca com a minha amiga por alguns metros, até o ambulatório, sob as vistas de 03 (três) seguranças que estavam sentados confortavelmente em suas cadeiras, vigiando a porta de entrada/saída, que encontrava-se fechada.
Pois bem, fui em busca do local de aplicação do remédio, que estava vazio, sem saber o que fazer, tentei manobrar a maca para aquele local quando fui interpelada de forma ríspida por uma atendente que disse que nem eu nem minha amiga deveríamos entrar naquele local. Muni-me de toda paciência do mundo e pedi desculpas (?). Ela, de forma mal humorada, aplicou o remédio e saiu, sem uma palavra.
Fiquei aguardando alguma instrução, que chegou alguns minutos depois, pela mesma atendente, que mandou que eu afastasse a maca para perto da parede e esperasse 40 minutos, e depois procurasse o médico.
Fiquei aguardando que minha amiga voltasse à consciência, e que passassem os 40 minutos. Neste momento, o que era perplexidade transformou-se em revolta: uma maca, com um cadáver coberto, passou pelo corredor, coisa perfeitamente compreensível.
Incompreensível foi o fato dos dois servidores que transitavam com aquela maca, pararam junto à maca da minha amiga e gritaram, a plenos pulmões, para uma terceira pessoa acompanhá-los até o necrotério. Estava preparado o cenário de um filme de Pasolini.
Acompanhei com os olhos o que acontecia a minha volta. Profissionais grosseiros e impacientes, tratando pessoas fragilizadas e humilhadas.
Ao passar os 40 minutos fui falar com o mesmo médico, que se encontrava no mesmo Box, sentado na mesma cadeira. Ele limitou-se a receitar um calmante e dizer que a minha amiga estava liberada. Naquele momento ousei perguntar a ele se poderia indicar alguém para ajudar-me a retirar a minha amiga, vítima de convulsão, da maca. Ele, laconicamente, disse que procurasse alguém para fazer isso.
Fui em busca dos 03 (três) seguranças, e esses responderam que estavam impedidos de fazer tal coisa. Ora, impedidos de ajudar uma mulher, vítima de acidente de carro, a tentar retirar uma amiga, vítima de acidente de carro e de convulsão, de uma maca? Inacreditável.
Seguindo a indicação desses prestativos (?!) seguranças, fui ao ambulatório pedir a ajuda da atendente, que disse-me um não, de forma peremptória, alegando que tal atitude poderia atacar a sua coluna.
Quando voltei à maca, uma outra atendente, esta sim, prestativa, ajudou-me a levar minha amiga até a saída daquele que reputo ser o Quinto Círculo do Inferno de Dante, aquele local em que ficam os iracundos, os insolentes e soberbos, imersos em lama ardente do Pântano do Estige.
Senhor Governador, há problemas na saúde? Claro que sim, é necessário pulso firme para tratar o assunto, e disso não há dúvidas. Mas quero chamar atenção para um outro aspecto, este sim, grave. Este relato, lamentavelmente, parece repetir-se em outras unidades, de forma reiterada.
Remédios, aparelhos, curativos, tudo isso é comprável, é orçado, é licitado. Salários devem ser aumentados e um plano de carreira para o setor de saúde deve ser cuidado com zelo, mas, Senhor Governador, demais autoridades, cidadãos de Brasília, HUMANIDADE e SOLIDARIEDADE, são materiais que não constam de nenhuma planilha de custos.
A verdade é que os doentes não percebem mais a utilização do juramento de Hipócrates. Hoje me deparei com médicos, auxiliares de saúde, vigilantes da rede hospitalar, que enxergam os pacientes como estorvos.
Claro, não posso e nem quero generalizar, mas gostaria que fosse feita uma análise mais aprofundada do motivo que leva profissionais a agir de forma tal ofensiva com aqueles que estão debilitados, fragilizados.
Senhor Governador, peço que pense, com carinho na situação estrutural da saúde no DF, mas peço que busque, concomitantemente, cobrar desses profissionais, de forma firme, um mínimo de compaixão para com os pacientes.
Busque forma de garantir a demissão a todos aqueles que demonstram não gostar do que fazem, os pacientes agradecem. Faça concursos públicos dando ênfase ao caráter humano.
Nós, que precisamos utilizar o serviço público de saúde, só precisamos disso, de um tratamento afável e de qualidade e isso independe de orçamento, afinal, insisto, o hospital do Guará, hoje, estava praticamente vazio, o médico e a atendente estavam em situação de absoluta tranqüilidade, longe da azáfama que caracteriza um ambiente hospitalar.
Senhor Governador, HUMANIDADE, SOLIDARIEDADE E SIMPATIA não devem estar condicionadas ao contracheque, devem, isso sim, ser inerente àqueles que praticam a arte da cura. Portanto, imploro por um choque de gestão em Recursos Humanos para que só permaneçam trabalhando aqueles que realmente tenham aptidão para trabalhar com seres humanos, ainda que encontram-se doentes.
Fonte: Blog do José Seabra
Ano passado meu pai foi internado no Hospital Regional da Ceilândia.
ResponderExcluirEle foi internado em uma tal de sala Vip que de vip nao tem nada, tinha umas dez pessoas internadas na mesma sala que nem macas tinhasm, ele teve que ficar internado sentado em uma cadira quebrada por dois dias ( ele tem problemas sérios na coluna ) mas tudo bem, o Hospital estava cheio e nào suportava mais nenhuma pessoas. Depois fiquei esperta e fui andar pelo hospital e lutar por uma maca pra ele enfim consegui. daí ele ficou internado no corredor ao lado de um banheiro que por sinal mal cheirava muito!! No hospital não havia médicos em vários turnos, então fui reclamar na auditoria, o que ouvi foi que não poderia ser feito nada por mim. Meu pai foi ao banheiro estava todo cobrto por fezes, fui pedir pra responsável pela limpesa ir resolver o problema, ela começou a discutir comigo falando que havia limpado pela manhã desfazendo do que eu havia falado... Coinsidentemente no mesmo período que meu pai estava internado seu melhor amigo também estava lá internado com um quadro grave, em uma noite passei pelo amigo do meu pai e percebi que a respiraçào dele estava muito incomum, fui até a sala da enfermaria e pedi para dar uma olhada nele, ela falou que iria. ( alías o pessoal do hospital tudo mal humorado, nunca querem responder nossas perguntas e tratam sempre mal ( nào todos mais a maioria ) Eles nunca teem tempo mais sempre que você vai a sala deles eles estào lá sorrindo e batendo papo) mais voltando ao caso do amigo do meu pai: depois de mais ou menos 5 minutos que eu fui pedir pra alguém ir olha-lo já que ele estava sozinho sem acompanhante um homem gritou no corredor o Homem parou de respirar!! daí sim foi um monte de enfermeiros e um médico que estava de plantào atende-lo, pegaram a maca e arrastaram pra uma outra sala que é onde os pacientes muito graves ficam internados... tentaram reanima-lo mais foi tarde enfimmmm faleceu o nosso querido amigo. E o que eu vi de outros pacientes passarem, fiquei chocada, paciente cheio de feridas nas costas deitado em um colchào cheido de urina implorando por aguá. Uma mulher vomitando sangue por meia hora sem atendimento, Pessoas sendo humilhadas, uma mulher reclamando na sala da segurança de que apanhou de um funcionario dentro do hospital e os guardas rindo da cara dela e a colocando pra fora... Enfim foi dias de horror fiquei dias sem dormir, uma vergonha sem tamanho e uma falta de humanindade que nem tenho palavras pra descrever!.